Souq Waquif.

Não há outro lugar em Doha que me remeta para a verdadeira cultura qatari. Acho que este lugar é o ícone da cidade, o centro , o ex-libris, a história e a cultura de mãos dadas, o único sítio que não pode ser deixado de visitar.

Situado no centro de Doha, costumava ser o sítio onde os beduínos e os locais faziam as suas trocas comerciais, variadas mercadorias, essencialmente produtos de consumo doméstico. Hoje em dia, o Souq é um vasto mercado, onde podemos encontrar quase tudo o que precisamos. Desde as especiarias, aos tecidos, perfumes, mercearias, a pequenos electrodomésticos, móveis, utensílios de trabalho, jóias, artigos típicos, fruta e até animais.

É um local muito apreciado pelos locais, não só pelo uso comercial, mas também pelo lazer. Aqui encontram-se variados restaurantes, cafés. Em quase todos pode-se fumar a Shisha (ou sheesha), um cachimbo de água que é utilizado para fumar. Encontramos também inúmeras vendedores ambulantes a vender gelados, chá, castanhas assadas, fritos típicos, comida. Portanto, um lugar familiar, onde se pode passear, fazer compras, comer e passar umas boas horas de lazer, nem que seja só a fazer turismo.

Para as senhoras que andam às compras e não querem carregar com os sacos, o Souq tem um serviço de “empregado-ambulante”, que transporta as compras num carrinho de mão e leva-as até aos carros. Andam todos vestidos de igual para serem facilmente distinguidos.

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Os meus filhos adoraram o Souq, não só por poderem andar livremente, mas porque é muito apetecível para eles: os aromas no ar, a comida, os doces. E os gelados do senhor turco que brinca com as crianças! Já sem falar que, passar na rua onde estão os animais, é quase uma missão impossível. Eles acham imensa graça a todos, querem fazer festinhas a todos e é uma eternidade para sairmos de lá!

Os Qataris cheiram bem. A sério!

Uma das primeiras coisas que reparei no Qatar, quando passava perto de locais, foi no aroma que ficava no ar. Hão-de achar que estou a exagerar ou a dizer uma enorme asneira, mas acho que nunca na minha vida, me cruzei com um povo que cheirasse tão bem. Sim, de facto, os Qataris cheiram todos muito bem. E não é cheiro a um qualquer perfume banal. É um cheiro muito característico, aromático, fresco, imperceptível de dizer o que será.

O mais curioso, é que não são só as pessoas que cheiram bem. Se entrarmos em algum local que eles frequentem, algumas lojas, determinados sítios nos centros comerciais, também podemos sentir uma fragrância característica. Qualquer coisa como incenso, mas não queimado. Enfim, muito difícil de explicar por palavras. Em muitos sítios podemos também encontrar perfumarias, onde o cliente faz a sua própria fragrância. São lojas muito luxuosas, cheias de frasquinhos

Eu e o Pedro comentamos sempre que passamos por algum que cheira bem. Onde será que eles arranjam estes perfumes? Existem perfumarias aos pontapés, com as marcas que estamos habituados a consumir. Mas, este cheiro que eles e elas têm não é o de um perfume normal. Pois, pelos vistos, de acordo com este video, os qataris usam alguns truques que os ajudam a cheirar [maravilhosamente] bem. Ele fala em algumas coisas: Oud, Dihn Al Oud, Bukhoor, Perfume e Flores. Fica aqui a promessa de que, uma vez de arraiais montados no Qatar, vou tentar descobrir mais sobre os produtos desconhecidos. E experimentar, porque vale realmente a pena fazer a experiência para cheirar tão bem! Enquanto isso não é possível, aqui vão as dicas de um local!

 

Hamad International Airport: a um passo do futuro.

Quando pensamos em smart airports, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a funcionalidade do serviço. Quem já viajou de avião, sabe bem o quão stressante pode ser a experiência: longas filas num check-in, longas filas na segurança, sinalética pouco compreensível, grandes distâncias, muita gente e um prazo para cumprir. Sim, os aviões não esperam por nós. Convém não esquecer que estamos num aeroporto e não num terminal rodoviário!

Logo, quando um aeroporto faz um esforço, no sentido de facilitar a vida do passageiro, colocando ao dispor serviços (e tecnologia) que nos poupam tempo, energia e chatices, só pode estar a utilizar bem os recursos que o “futuro” nos oferece. Estar no caminho da modernização, da facilitação e proporcionando bem-estar, fazem de qualquer aeroporto uma primeira escolha.

O Hamad reúne duas grandes características, que fazem dele um aeroporto vencedor: o foco na primazia do serviço prestado e a modernidade de equipamentos. Não há como ficar indiferente, tendo como base de comparação muitos outros aeroportos por esse mundo fora. Se bem que o poder económico conta (e muito) na aquisição e adaptação destas infraestruturas, não se pode deixar de referir que, o interesse em facilitar a vida ao cliente e proporcionar que este tenha a melhor experiência possível, são pontos elevadíssimos para a conquista de uma boa reputação. Sem qualquer sombra de dúvidas, o Hamad está a um passo do futuro.

O turco lá da rua

O Pedro vai lá, de vez em quando, buscar comida para levar para casa, ou para comer no restaurante. A primeira vez que comi alguma coisa de lá, foi quando fizemos um jantar em casa e ele foi buscar pão e humus.

Depois, houve um dia que trouxe comida. Não posso dizer que é má, porque não é. De comida turca, talvez possa ter como comparação o meu restaurante preferido em Doha, o Sukar Pasha. E como eu acho que não há comparação nenhuma com o Sukar, em lado nenhum do mundo onde eu tenha comido, portanto, elevo bastante a fasquia e as expectativas de qualquer outro restaurante.

Mas, o propósito deste post não é, de forma alguma, comparar o incomparável. Gostava que vissem como pode ser divertido escolher o que comer. Para além de achar que, para uma cidade com o poder de compra tão elevado, podemos encontrar sítios onde comer por menos dinheiro que no Algarve.

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O prato mais caro custa 50QR. São cerca de 12,5€. Um chá custa 0,25€.Que vos parece? O meu prato preferido é o Sheesh Tawook (ou Shish Taouk, que penso ser a forma correcta de se escrever!), pedacinhos de peito de frango, feitos num churrasco, condimentados numa mistura de especiarias, que o deixa com sabor a fumado, mas ligeiramente picante. Uma delicia! A minha filha adora o Lebhna com queijo, eu adoro o pão deles! Por 7QR (1,75€) podem comer um enorme Shwarma de Galinha (e garanto-vos que não ficarão com fome) ou pedir uma Turkish Pie e uma Coca-cola e fazem a festa! 🙂

Eu disse-vos, Matar Qadeem é um mundo e este fica mesmo logo no ínicio da rua; não há como enganar!

Qatar Deserves The Best

O Qatar está em constante construção. Quem me disse foi quem já lá mora há mais tempo. E, sinceramente, salta à vista assim que aterramos. Ainda não acabaram uma obra, começam outra mesmo ao lado. O país prepara-se para receber o Mundial de Futebol de 2022. Há construções, operários, pó, por todo o lado. São estádios, são prédios, são estradas, é o metro. O país está sempre em obras.

Até porque não podem estagnar e ficar a dormir. Há um vizinho mesmo ali ao lado que anda sempre em competição: o Dubai.

Para qualquer lado que se olhe, há sempre alguma obra a acontecer. A maior parte delas, tapada para evitar intrusos (e olhares de curiosos!), tem inscrito nos painéis o slogan que todos os Qataris veneram: «Qatar Deserves the Best» (o Qatar merece o melhor).

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Segundo consta, os Qataris têm uma enorme vaidade e orgulho no seu país. Exemplo disso é a quantidade de bandeiras hasteadas que podemos ver por toda a cidade, em edifícios de estado, particulares, comércio, ou só porque sim, no meio do nada. Na mentalidade qatari, o país não só merece o melhor, como também o mais caro.

Vejamos umas das principais obras a acontecer: o metro de Doha. Com a conclusão prevista em duas fases, a primeira em 2019/2020 e a segunda em 2026. Só para a primeira fase, estão previstos gastos na ordem dos  8.2 biliões$. A cidade está a ser literalmente esburacada. Entrou para o Guinness, como sendo a construção com o maior número de escavadoras subterrâneas (tuneladoras) a operar ao mesmo tempo. Estão previstas 85 estações, que cobrirão praticamente toda a cidade.

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À parte deste projecto, o Qatar ainda está a construir uma linha de longo curso, para se ligar à vizinha Arábia Saudita e ao Bahrain, e uma linha urbana que ligará Lusail a Doha e a algumas estações de metro específicas. Tudo projectos que se pensam estar concluídos em 2030.

Portanto, o Qatar não só merece o melhor e o mais caro, como também pensa em grande. Quem agradece este pensamento megalómano e futurista, são os habitantes. Espera-se que o transito fique muito mais aliviado, e que a vida seja mais facilitada para todos.

Sealine Desert: praia, deserto, camelos e um resort.

Apesar de estarmos num país árabe, ir à praia é absolutamente normal. Quando comecei a pesquisar coisas sobre o Qatar, achei que por questões culturais, algumas coisas não fossem permitidas. Uma delas foi a questão das praias. Mulheres e homens em bikinis e calções, são coisas que não associamos à cultura árabe. Pois, enganei-me.

É certo que nem todas as praias são públicas e que, em algumas, não é permitido o uso de roupa de banho ocidental. Mas, sendo o Qatar uma península, banhado pelo mar do Golfo Pérsico, existem muitas praias onde é possível passar o dia fazendo isso mesmo: praia.

A maior parte delas fica fora de Doha, portanto é necessário transporte até lá. Alguns hotéis em Doha têm praia e, pagando uma determinada quantia, podemos utilizar a praia, como qualquer hospede. As que ficam fora da cidade são grátis, o que é bom, mas podem ser longe. E o longe no Qatar não significa poucos quilómetros, mas sim a quantidade de tempo que se perde até chegar!

A maioria das pessoas vai nos seus carros (convém que sejam jipes para algumas praias!) e estaciona mesmo à beira-mar, depois das dunas. Depois é só relaxar e aproveitar o dia: comer, beber, mergulhar, pescar, apanhar banhos de sol..

Não tive oportunidade de conhecer muitas praias, até ao momento. Na realidade, estive na de Katara (que não é pública), na de Al-Wakra (interdita a banhos por estar perto de um porto marítimo) e na Sealine Beach. Nesta última, estivemos o dia a fazer praia e adorámos.

Situada depois de Mesaieed, a cerca de uma hora de Doha, podemos escolher por estacionar o carro nas dunas e aproveitar a praia de graça ou, entrar no Sealine Beach Resort, pagar uma quantia e usufruir da praia vigiada, com uso de sombrinha, espreguiçadeira, toalhas, esplanada, piscinas, wc, bar e restaurante.. Como estávamos com os miúdos, não quisemos arriscar e escolhemos o resort, não só pela comodidade, mas também pelos serviços que teríamos à disposição, caso fosse necessário.

Não será uma praia que eu vá utilizar com frequência, até porque fica longe e caro, para quem quer fazer só praia e aproveitar as temperaturas maravilhosas daquelas águas turquesas. Creio que em Doha, nos hotéis, as praias tenham a mesma qualidade. Contudo, para servir de passeio, ver o deserto, os camelos e dar um mergulho no mar, a Sealine é excelente.

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