No dia em que pisei o chão do Médio Oriente.

O meu marido sempre me disse, desde que foi viver para Doha, que no dia em que eu fosse visitá-lo pela primeira vez, teria de ir de mente aberta. Isso sempre me deixou com muitos macacos na cabeça.

Embora ele me mandasse muitas fotos dos sítios por onde ia passando, ou me contasse as impressões que ia tendo à medida que se tentava integrar na sociedade, nunca nada é como nós imaginamos. Temos mesmo de ver com os nossos olhos e sentir com a nossa presença, para que possamos fazer realmente um juízo próprio.

Neste momento, eu praticamente não sei nada sobre Doha, sobre o Qatar e as suas gentes. Os vinte e seis dias que passei (no total das duas visitas) no país, ainda não chegam para saber tudo. Mas eu sempre fui uma pessoa de primeiras impressões: onde ponho o olho, ponho a bala – como se costuma dizer. E raramente me enganei em relação ao primeiro impacto que, tanto pessoas como lugares, me dão.

Ou se ama, ou se odeia.

Enquanto sobrevoava o médio oriente, já estava fascinada. O sol estava a nascer, lá em baixo viam-se terras nuas, estradas em rectas intermináveis, deserto; de vez em quando um edifício, duas ou três casas, e a imensidão de um bocado de terra que se prevê desoladora. Nos mapas do navegador de bordo que tinha disponível, podia ver que estava a passar por terras onde nunca imaginei que alguma vez pudesse passar. já de si, isso é imensamente fascinante. E pela primeira vez tomei consciência do quão longe estava de casa.

Quando aterrei em Doha, levava um misto de sentimentos: por um lado, o reencontro com o meu marido, depois de 4 meses; por outro lado, o facto de estar num país árabe, provavelmente o país que irá acolher toda a minha família. Primeiro deixei-me levar pela imensidão que é o aeroporto de Doha – Hamad Internacional. Amplo, grande, novo, com um cheiro agradável a perfume no ar, limpo. Percebe-se a grandeza com que os Qataris constroem as coisas. Depois de me reencontrar com o meu marido e nos cumprimentarmos com um abraço (manifestações públicas de contacto físico entre homens e mulheres não é culturalmente bem visto), saímos do edifício. Era Fevereiro, eu ia vestida tal como saí da Europa. Confesso que senti necessidade de começar a despir roupa. Não estava um calor infernal, nem nada que se parecesse com isso. Estava um dia típico de fim de Maio no Algarve, solarengo e agradável, embora muito mais húmido.

Então, é no momento em que deixamos o ambiente atípico de qualquer aeroporto e embrenhamos pelo país a dentro, que os nossos sentidos despertam verdadeiramente e começamos a tomar consciência (embora aos poucos), do que realmente nos espera.

Não posso generalizar e dizer que qualquer pessoa faz um primeiro juízo crítico ao fim de três dias, ou de um, ou de poucas horas. Eu demorei três dias para perceber que não ia odiar Doha. Foi o tempo necessário para deixar de ligar às coisas que não estava habituada a ver e ficar tipo boneca de porcelana.

Muitas pessoas precisarão de muito tempo (ou até nunca consigam!) para perceber se se adaptam, se gostam, se se sentirão confortáveis; muitas odiarão logo no primeiro minuto. Depende muito de cada um, do poder de adaptação, da capacidade de aceitação, do modo como estabelecem padrões para a sua vida. O facto de eu não ter odiado Doha, posso dizê-lo que o devo em grande parte ao meu marido, porque não é que seja indispensável, mas sem duvida ajuda e muito: eu fui de mente aberta.

 

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