Explicar o Amor.

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Quando te vês rodeado de gente com uma cultura diferente da tua, se fores uma pessoa curiosa, a primeira coisa que vais querer fazer são muitas perguntas. O meu marido costuma contar-me muitas das conversas caricatas que tem com os colegas, essencialmente sobre as diferenças culturais entre todos. Invariavelmente, a conversa vai parar ao casamento.

Na primeira visita que fiz a Doha, tive oportunidade de conhecer alguns dos colegas e amigos que o meu marido foi fazendo ao longo dos primeiros quatro meses. Um deles foi o seu primeiro (e único) colega de apartamento. Quando ele chegou a Doha, partilhou o alojamento temporário da empresa com um colega e entretanto ficaram bons amigos. Esse amigo é de origem indiana. E, tal como já disse, tive oportunidade de o conhecer e de conversar com ele acerca do seu país, da sua cultura.

Normalmente, a pergunta que fazem ao meu marido é: o teu casamento foi arranjado ou foste tu que escolheste a tua noiva? ou ainda: tiveste sorte com a noiva que te arranjaram ou que escolheste? Ele responde sempre a rir que nos escolhemos um ao outro, porque somos ‘livres’ de o fazer. Ou responde que fui eu que o escolhi. Normalmente, com a segunda resposta as caras de atónitos deles ainda ficam mais engraçadas.

No mundo ocidental, o normal é duas pessoas conhecerem-se, apaixonarem-se e partilharem as suas vidas em conjunto, casando ou não dependendo do modo de vida que escolhem. Certo?

Mas, o que parece tão certo e lógico para nós, não faz nenhum sentido do outro lado do planeta. São estas diferenças culturais que nos enriquecem, porque não há um lado certo ou errado em cada posição. Há o que, para determinada sociedade, faz sentido ou não.

Então, o amigo (agora nosso amigo!) indiano explicou-me que, dependendo das castas, assim são os casamentos na Índia. Normalmente, os casamentos são arranjados pelas famílias dos noivos, levando em conta a mesma religião e a mesma casta. A família da noiva deve ‘pagar’ pelo noivo, ou seja, quem tem uma filha para casar, normalmente trabalha para pagar o casamento da filha. No caso deste nosso amigo, ele tem várias irmãs e algumas ainda solteiras. Logo, ele também trabalha para ajudar no casamento das irmãs. Já a família dos noivos tem a tarefa mais facilitada, pois apenas tem de possuir um bom exemplar masculino pelo qual a família da noiva queira pagar! Parece surreal, não é? Mas acontece, na cultura indiana, em pleno século XXI.

Logo, surge a questão do amor. Na pratica, a grande maioria dos indianos não casa por amor. Os casamentos arranjados servem para unir famílias e aprofundar laços entre elas. Normalmente, isso tem todo o tipo de interesses por detrás. A questão é: o amor surge depois de um casamento arranjado? Aprende-se a amar uma pessoa porque temos de conviver com ela?

Na cabeça de um ocidental, todas estas coisas fazem imensa confusão. Não nos passa pela cabeça casarmos com alguém do qual não estamos apaixonados (pelo menos para a grande maioria de nós). O amor para nós, enquanto casal, é um sentimento que cresce à medida que vamos descobrindo o outro, à medida que vamos construindo algo com a nossa cara metade. Implica conquistar, desejar, investir numa relação, numa pessoa que nos completa e nos atrai. Depois de todo esse ‘ritual’, vem a vida em conjunto, os planos a dois.

Os indianos simplesmente invertem tudo isto. Toca de casar primeiro e gastar uma pipa de massa em ouro para a noiva e dotes para o noivo. E depois de bem casados, dois estranhos, têm de aprender a conviver. E talvez se apaixonem um dia ou cheguem a amar-se.

Por isso é que entre homens, eles perguntam naturalmente se o meu marido teve sorte com a sua noiva. Porque basicamente, para depois de um casamento arranjado, se sentirem felizes, só mesmo com um grande golpe de sorte. Não quero imaginar a quantidade de histórias macabras sobre ‘azares’ com as noivas e noivos, que as pessoas da Índia têm para contar. Talvez um dia pergunte ao meu amigo se sabe alguma..

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