Outside World

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Uma das primeiras impressões que tive do país, não só quando visitei na primeira vez, mas também nas viagens seguintes, foi a de que a civilização era um ponto forte. Doha é, de facto, uma cidade cosmopolita e em ascensão. Mas, assim que saímos do núcleo urbano, os sentimentos contradizem-se. Mais uma vez, a famosa sensação: ou se ama, ou se odeia. Não quero dar falsos testemunhos: a mim impressiona-me.

Se formos até Mesaeed, por exemplo, ao passar pela estrada que nos leva até Al Wakra, tive a sensação de que ia encontrar o José Rodrigues dos Santos, de microfone em punho, a relatar qualquer acontecimento com a guerra do Golfo. O deserto é desolador. E muitas vezes, as povoações fazem-nos cair na realidade: não estamos na velha Europa. Isto é mesmo um país no Golfo Pérsico, com todas as semelhanças aos cenários que viamos nas reportagens. Basta andar uns quilómetros para fora da capital.

A paisagem árida e creme, levada numa neblina de pó e areia, não mostra sinais de vida. São pó, pedras e pequenos arbustos, na seca e crua natureza que nos rodeia. Às vezes, ainda me custa acreditar que estou mesmo aqui.

De vez em quando, casas em construção ao abandono, terrenos baldios, amontoados de povo que não imagino como viverão. A dura realidade de que, o que vemos no centro, não corresponde de todo, ao que encontramos nas periferias.

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Falaram-me sobre algumas zonas, nos arredores de Doha, onde os amontoados populacionais acontecem sem se saber como. Aqui, não se trata tanto disso. Trata-se de olharmos em volta e vermos deserto. Sentirmos que o chão que pisamos não se trata só de terra e pó, mas sim de algo imaterial: uma ilusão perdida.

Aqui, nestas paisagens, nestes locais quentes e secos, vivem pessoas. Muitas pessoas. Para a grande maioria, esta será a única realidade que conhecem. Não sei se são felizes. Não sei como vivem. Apenas imagino, ou nem sei bem se aquilo que imagino se poderá aproximar da realidade.

Dizem que o deserto fascina, pelo seu silêncio e pela sua imponência. A mim fascinou-me pela sensação de poder superior. Aqui, a nossa capacidade de superação é posta à prova. Mas não acredito que o Homem leve a melhor. Aqui, o ser humano tem de se adaptar, com resiliência, com grandeza e bravura. Nestas paragens, precisas ser mais forte que as adversidades e tentar viver com aquilo que está ao teu alcance. Até porque esta realidade é o antípodas dos compound de luxo e do glamour da Pearl.

Tenho apenas uma certeza: os meus pés pisaram estes solos. Esta sensação, esta experiência, já ninguém me pode tirar. Dizem que das viagens voltamos mais ricos. E eu acredito. Só posso acreditar.

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