O Qatar em 20 minutos.

Mais um excelente vídeo de promoção a este país. Quem tiver tempo para assistir, são cerca de 20 minutos (em inglês), onde de uma forma muito abrangente, se consegue ter uma noção do que se pode encontrar no Qatar. A nível cultural, as ofertas são muitas.

O vídeo fala também da história do país, de algumas infraestruturas governamentais e de propostas de entretenimento, quer o seu gosto passe pelo desporto, pelas compras, pela arquitectura.. O Qatar muito bem explicado em vinte minutos!

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9 meses.

Há nove meses atrás, por esta altura, estava a fazer as malas. Não era eu que partia, era um bocado de mim. Lembro-me bem da confusão que foi… os últimos preparativos, as compras de última hora, as despedidas, ir aqui e ali, tratar de burocracia, bancos, finanças, não esquecer de nada (ou tentar!); chegar ao fim do dia e querer que o tempo parasse, congelasse, não voltasse a andar até que disséssemos o contrário.  – Já podes, tempo. Já podes andar com essa pressa toda. – Há nove meses atrás, eu via este dia de hoje tão longe como vejo agora os meus oitenta anos.

Acontece que o tempo, esse apressado, não parou. Não parou de correr, galopar nas semanas e nos dias. Passou o Natal e o fim de ano, aconteceu a minha primeira viagem a Doha, depois foi a vez dos meninos visitarem o novo país [e de andar no avião do pai, como diz o Manel], o aniversário do Pedro, mais uma viagem, mais um regresso. Nestes meses, o Pedro foi ao Bangladesh, à Arménia, a Itália, veio a Portugal duas vezes. Andámos em movimento, contrariando a teoria de que o tempo passa devagar, só porque nós não nos conformamos com imposições e impossíveis.

Hoje, a poucos dias da minha partida definitiva para o Qatar, percebo que tinha toda a razão do mundo, quando repetia para mim própria, que o tempo havia de passar a correr. Mesmo quando nas adversidades, deixei de acreditar que era capaz de dar conta do recado; mesmo quando nos piores momentos, tive vontade de jogar a toalha ao chão, e acabar com a brincadeira, e dizer «pronto, já viste como é isso aí, agora é voltar pra casa se faz favor»; mesmo quando me sentia impotente e incapaz e fraca; mesmo nessas alturas, a minha voz interior, que sempre me gritava no final: isto passa! Isto passa depressa e tu és capaz!

Faltam poucos dias para apanharmos um avião – e depois o avião do pai, como diz o Manel – e aterrarmos em Doha. Sinto que já conheço os passos. Sei que vou ter a senhora da Al-Maha à nossa espera, que nos irão apanhar as malas enquanto esperamos num lounge com sumos e bolos e café e chá. E que depois trataremos da imigração, sairemos até às chegadas. E que lá fora, estará o pai a esperar por nós, de braços abertos. E havemos de respirar fundo, que agora é que vai ser a sério. Que não precisaremos mais que o tempo corra ou pare, que agora só queremos que ele faça aquilo para que é destinado: acontecer. E viveremos, enfim, depois de nove meses, novamente em família.

Nove meses depois, o tempo que leva a gerar um filho.

Live it. ♪

O hino oficial do Qatar 2015. Pelo menos é o que refere a descrição do vídeo no Youtube. Não sei se se tratou de algum hino para algum evento, ou se foi criado para outro propósito mais nacionalista e oficial.

O que eu gostava de sublinhar é basicamente isto: este vídeo retrata na perfeição a multiculturalidade existente no país. Isso demonstra bem a necessidade de se viver em harmonia, num espírito de comunidade. E a música está gira, fica no ouvido e apetece dançar!

Um calor esquisito.

Uma das primeiras coisas que pensamos, quando estamos prestes a mudar de país, é sobre o clima que vamos encontrar. Não há muito a considerar quando se trata de um país no médio oriente. Sim, vamos viver com calor. Às vezes, muito calor. Dois ou três meses por ano, numa fornalha.

Já lá estive em Fevereiro, no fim de Março e em Junho. Em qualquer destes meses apanhei diferentes temperaturas. Em Fevereiro calorzinho, em Março calor e em Junho calorzão. Agora está infernal, um autêntico forno.

weather

Estão 41º, mas a sensação é de 53º. O grau de humidade elevado faz com que tudo esteja molhado, à semelhança de uma sauna. Respirar é um trabalho árduo, para quem passa a vida fora de quatro paredes. Só se vive em ambiente climatizado. O ar quente seca os olhos, a pele, tudo. Mas, ao mesmo tempo a humidade deixa o corpo a pegar, a pingar, a escorrer suor.

Talvez seja por isso que, tantos expatriados regressem ao seu país nos meses quentes, fazendo de Doha uma cidade só para os Rambos desta vida.

Dizem que Julho, Agosto e parte de Setembro são os piores meses, para quem não tolera bem o calor extremo. Eu acredito. Desde baixas de tensão, a má disposições, a edemas provocados pelo calor, de tudo um pouco pode acontecer. Hidratação é a palavra de ordem, bem como uma alimentação cuidada e saudável. Tudo isto aliado à preocupação de evitar estar grandes períodos de tempo exposto ao calor extremo, e também à colocação de protector solar. Uma canseira viver no deserto…

Ora, então.. Muito Obrigada!

Este post, ao contrário dos anteriores, não fala sobre a nossa aventura no Qatar. Só queria deixar por escrito, o meu agradecimento a todos quanto divulgaram (e aos que ainda hão-de divulgar mais) e partilharam este blog. Nomeadamente, através da página no facebook.

Esta aqui: ↘ Enquanto Voava !!

Sois todos muito simpáticos, pessoas de bem! Agradeço imenso o vosso gesto.. 💞

E uma palavra de boas-vindas, a todos os que aterraram por aqui; acabadinhos de chegar, só vos posso dizer que: nos arquivos encontram tudo o que já foi escrito; e que se quiserem continuar a saber coisas sobre esta família no Qatar, não abandonem o vosso lugar ainda, voltem a apertar os cintos, que em breve descolaremos para mais voos.

Muito, muito Obrigada!

Da minha janela..

 

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Da minha janela vejo o mundo.

A primeira vez que aqui cheguei, pensei que estava tramada. Vinha eu das Gambelas, de ver verde e flores e campo à minha volta. Das vivendas bonitas e das ruas pacatas. Começamos mal! – pensei.

A nossa rua estava fechada para obras. Para chegarmos ao prédio, andávamos por labirintos e ruelas, no meio deste género de bairro de Doha. Becos sem saída, buracos, prédios feios, restos de obras, contentores de lixo e gatos, muitos gatos abandonados. Era um cenário que desiludia, tendo em conta os lugares giros e super-luxuosos que existem por esta cidade fora.

Aos poucos, a minha opinião começou a mudar. Não, não gosto da estética nem das redondezas. Isto para mim levava com um Extreme Makeover radical. Plantava árvores e construía jardins, demolia casas feias e a cair, pintava tudo em cores mais bonitas. A minha opinião começou a mudar, porque reparei que aqui estava perto de tudo. Da escola, do trabalho do Pedro, do centro, de lojas e restaurantes, de serviços. O trânsito em Doha é tão confuso e tão caótico, que estar perto das coisas que se precisam diariamente, não é sorte: é uma bênção.

Com largos períodos em casa, enquanto o marido trabalha, a janela é um motivo de distracção. Daqui vejo a vida a passar. As pessoas que passeiam pela rua, nas suas vidas. Quando a mesquita faz o chamamento, lá vão eles apressados. Os carros a circular, muitos nem sabem fazer a rotunda como deve de ser. E à noite, é vê-los a passar com as caras iluminadas pelos ecrãs dos telemóveis, que esta gente ainda não descobriu o perigo de ir a conduzir de iPhone em punho. Os miúdos que brincam nos passeios, que às vezes andam à pedrada uns com os outros e ficamos a agradecer ao Pai dos céus por termos garagem. Os indianos que passeiam de mão dada, elas que desfilam os seus trajes coloridos e cheios de brilhantes. Os gatos vadios que brincam e lutam, muito peludos mas desengonçados. Aqui perto, o antigo aeroporto, de onde descolam aviões em testes ou caças da Força Aérea e o barulho é surreal.Os táxis a apitar à procura de  clientes, assim que vêem alguém a andar na rua. A carrinha do distribuidor de água, que mesmo debaixo de um calor infernal, lá carrega com os garrafões cheios e volta com os vazios. Da minha janela, vê-se a lua; vê-se a aurora de luz que emana do City Center.

Não moro no lugar mais bonito de Doha. Nem sequer anda lá perto. Mas, daqui vejo a vida a acontecer. Tal como ela é. E isso empurra-nos de volta para a realidade. Não viemos para o país dos tapetes voadores e dos Aladinos. Aqui não se esfregam lâmpadas mágicas e aparece o génio pronto a satisfazer desejos. Aqui, como em qualquer lado do mundo, trabalha-se e vive-se com o que a vida nos dá. Aqui será o nosso lar, enquanto Deus quiser. E é aqui que trataremos de ser felizes.